Tailândia ou o capítulo da noite mais bizarra da viagem

Quem vem lá? A sim, são mais algumas almas perdidas nessa imensidão virtual. Bem vindos ao cemitério do bom senso e da alegria na internet. Vamos todos celebrar juntos o funeral diário da esperança em mais um post em que muitas coisas legais acontecem (comigo) e mesmo assim nós sabemos que nada disso importa, pois a vida não tem sentido.

Vou logo colocar uma foto bonita porque depois só vem besteira

Após a jornada intensa movida pelo poder da amizade e do álcool (que muitas vezes são a mesma coisa) que descrevi no post anterior é de se esperar que nós fossemos dar uma pisada no freio e desacelerar nosso veículo nessa famigerada pista chamada curtição. Ledo engano, aparentemente ainda tínhamos alguma (pouca) lenha pra queimar. Ou gasolina pra gastar, se eu quiser me manter na metáfora.

Continuamos seguindo a querida turma de brasileiros que conhecemos e, após a Full Moon, fomos parar em Koh Tao, uma ilhazinha ali perto, ainda no Golfo da Tailândia. Eu achava que a cor de mar incrível seria exclusiva da costa oeste, mas lá é bonito pra caramba também. Eu não vou entrar (de novo) em todos pormenores da cor da água e etc…. mas só quero dizer que Koh Tao tem uma visibilidade tão boa embaixo da água que é um paraíso para mergulhadores. Dá para enxergar aquela verruga nojenta que seu amigo tem no pescoço a uns 10 metros de distância. A água de Koh Tao é o full HD das águas da Ásia (pelo menos isso era o que nós pensávamos nessa altura da viagem, mas só descobriríamos que estávamos errados muitos meses depois).

A ilha também é bem menor que Koh Phangan, definitivamente um lugar muito bom para descansar e colocar a pança em dia com o céu azul. Inclusive pegamos um quarto melhorzinho em um hotel, pois nosso hostel na outra ilha tinha cheiro de gente morta. Ou alguma coisa morta. Definitivamente tinha um cheiro podre.

Caso um dia esteja pela Tailândia esse é um lugar que vale a pena conhecer. Tranquilo na medida certa, com bons restaurantes e bares, praias lindas e uma dose comedida (mas divertida) da famosa “baguncinha”.

Nossos companheiros de pátria ficaram em um hotel resort bem ao lado do nosso, o que facilitou nosso uso da incrível piscina deles. Não é todo dia que o mochileiro tem acesso à piscina com vista panorâmica e borda infinita, por isso fizemos questão de aproveitar bastante a infraestrutura alheia. Convenhamos, nada mal curtir um pôr do sol dos penhascos beira-mar e de dentro de uma piscina. Com uma cerveja na mão? Claro, com uma cerveja na mão. Enquanto o vermelho escorria pelo horizonte lá estávamos nós com os glúteos submersos acenando tchau para nossa estrela favorita.

Até a chuva de fim de tarde era gostosa em Koh Tao

Mas não foi só de piscina e relax que se fez nossa visita à Koh Tao. Apesar da aparente tranquilidade a nossa esbórnia continuou. De dia passeios e muita Chang na cabeça à noite. A ilha não decepciona os mais animados e tem uns bares bem divertidos, e, claro, festa na praia com muito fogo envolvido. Ainda bem que as coisas fecham cedo, tipo uma ou duas da manhã, pois eu já estava quase no limite do meu “festômetro” e o motor ameaçava enguiçar. Admiro quem tem a energia para farrear como se não houvesse amanhã todos os dias, porque o amanhã sempre chega e com ele vem a ressaca, o peso da idade e a vontade de enfiar a cabeça na privada e puxar a descarga. Nossa história de glamour etílico foi como o conto da Cinderela, linda enquanto durou, mas a meia noite vem para todo mundo e vou falar, meu fígado já tinha virado abóbora faz tempo.

Rapaz… nem sei

Falando em comemorações é preciso destacar que foi lá que comemoramos o aniversário da Marina, uma das noites mais bizarras que tivemos na viagem. Quiçá a mais bizarra (e divertida).

Para entender melhor a nossa comemoração vou explicar rapidamente a estrutura rígida que seguíamos toda noite em nossas celebrações à vida. Koh Tao tem uma rua principal de bares/baladas e cada recinto tem um horário único de pico de diversão. Por isso começávamos no ponto mais a oeste da rua, o maiss afastado dos nossos hotéis, e vínhamos voltando pela passarela da bagunça. Assim quando um estabelecimento fechava pulávamos pro próximo, íamos do bar de música ao vivo, passando pelo bar da competição de beer pong, pela balada pirotécnica até o “clube estranho”, onde o ambiente era escuro e a galera que frequentava já estava em outra dimensão. Isso até tudo acabar de vez e só restarem os malucos comprando misto-quente na seven eleven. Explicado o contexto vamos a fatídica noite em si, 28 de Outubro de 2018 (o aniversário da Marina é dia 29, mas a ideia era passar a virada com a turma toda). Tudo começou com os baldinhos de Thai Vodka e as Changs de sempre, curtimos uma música ao vivo e já entramos naquela famosa faixa etílica chamada de “alegre”. Encontramos uma brasileira louca (mais uma) que tentou baforar Rexona no meio do bar e acabou engolindo uma cacetada de desodorante no processo (se você não sabe o que é baforar Rexona pergunte a um colega), ela espumou como um macaco tailândes com raiva. Chegou o momento da troca de bar e indo de um local para outro encontramos um menininho local jogando bola sozinho na rua e eu e alguns dos rapazes ficamos ali com ele, curtindo um futebol noturno. Foi uma interação muito bacana e ele ficou feliz de poder jogar com alguém. A parte negativa disso é que me empolguei no processo e acabei esquecendo que a meia noite estava perto e aí seria realmente o aniversário da Marina, o que resultou em um “parabéns pra você” no (próximo) bar sem a minha presença. De novo o futebol atrapalhou nosso relacionamento, mas nada que alguns beijos e palavras sinceras não consertem.

Esporte com locais

A noite seguiu pelos locais de sempre, mas devido a comemoração com uma influência ainda maior do álcool. Jogamos beer pong e bebemos, conversamos e bebemos, dançamos e bebemos, e a Marina até pulou a temida corda de fogo (e bebeu). Eu amarelei e falo com tranquilidade. Tenho consciência das minhas limitações e por alguma razão cósmica sou incapaz de pular corda. Caso eu tentasse me aventurar na atividade viraria o novo tocha-humana.

E lembram da querida companheira que citei acima? A que espumou Rexona? Oras, não é que certa hora ela, que conhecia a Marina há cerca de umas 12 horas, a abraçou e ambas choraram (muito) juntas devido a melodia adocicada de palavras ditas com aroma de desodorante. Foi um momento estranho de uma noite que estava prestes a ficar mais estranha ainda.

Por fim, quando já estávamos na nossa rotina de fim de balada (mistão da madrugada na seven eleven) conhecemos uns estrangeiros que estavam tão fora de si quanto nosso grupo. Em dado momento eles pediram para nós “cantarmos alguma música brasileira” para eles dançarem (sim, assim do nada).

Até hoje não sei se foi algo espontâneo ou brasileiro que é sacana mesmo, mas alguém puxou e aí todos nós começamos a cantar o jingle do Eymael (ele mesmo, o democrata cristão) e a gringaiada começou a rebolar até o chão. Foi um momento que talvez palavras não consigam capturar a magia (ou eu não sou um escritor bom o suficiente para isso), mas foi mágico relembrar do inenarrável Eymael dessa forma. Para finalizar, enquanto cantávamos nosso hino, saiu da escuridão um tailândes só de toalha e armado (com um revólver, não com libido) ameaçando a gente. Sim, isso aconteceu. Pera aí que eu vou repetir para você absorver direito – enquanto brasileiros cantavam o jingle eleitoral do Eymael e alguns estrangeiros piravam dançando como se não houvesse amanhã, surgiu das sombras um guardião da tranquilidade tailandês, trajando apenas uma toalha e segurando uma arma, e nos pediu “gentilmente” para acabar com a algazarra. Acho que ele ficou bravo de escutar uma gritaria na rua duas da manhã.

Foi uma noite memorável .

Os dias seguintes foram amargos, não pela ressaca acumulada, mas sim pela série de “adeus” que tivemos que dar. Nossos amigos, que estavam de férias, tinham outros destinos e nós continuamos por lá. Despedidas são uma constante nesse tipo de viagem, mais do que eu esperava, e na Tailândia ainda estávamos aprendendo a lidar com elas. É fácil seguir em frente quando o mundo todo te espera, mas não é tão fácil assim dar tchau para algo ou alguém que te lembrem de um pedaço de casa. Enfim, era momento de continuar a viagem.

Koh Nang Yuan

Um último destaque antes de terminar o relato desse magnífico pedaço de terra (e mar) que é Koh Tao. Durante nosso passeios pela ilha topamos com algumas praias incríveis, mas nada foi tão incrível quanto a ilhota de Koh Nang Yuan, que fica bem próxima ao píer principal de lá (é tão perto que dá para ir nadando, mas não é uma nadada fácil). Que lugar fantástico. Para rivalizar com as belezas de Phi Phi. É realmente bem pequeno, são dois montes pedregosos unidos por uma estreita faixa de areia. De um lado o mar é turquesa e do outro verde transparente. Subir até o mirante é imperdível, tem uma daquelas vistas de tirar o fôlego. Um dos lugares mais bonitos que visitamos nesse país que esbanja beleza. Gostamos tanto que fomos duas vezes pra lá.

E é com essa última descrição romântica de ilhas tropicais que termino o relato da nossa estadia em Koh Tao. A última parte da nossa aventura regada a álcool que nos envelheceu uns 10 anos, mas encheu de alegrias o coração. A partir de agora voltávamos a ser apenas nós dois, os patetas contra o mundo. E esse é um sentimento bom demais também.

Mal sabíamos que ainda passaríamos muito tempo na Tailândia, mas isso é tema para um próximo post.

Beijos Quentes