Moscou ou o capítulo do nervosismo inicial

Esse post cobre os eventos que aconteceram entre 10/08/2018 e 14/08/2018

Catedral de São Basílio Minha ilustração acabando com a Catedral de São Basílio

Um relato do longíquo começo da viagem, quando nossos intestinos ainda não tinham sofrido e éramos virgens de golpes e burradas. Esses episódios iniciais serão mais impressões do que qualquer outra coisa, pois nosso tempo na Rússia são quase memórias de uma outra vida.

São tantas experiências e aprendizados diferentes que 6 meses na estrada parecem 6 anos. Me sinto em uma realidade paralela em que o tempo trabalha de forma diferente. É realmente uma doideira, e fica melhor ainda quando você entra no estágio da viagem que qualquer tentativa de marcação de tempo parece inútil e você não tem ideia nem em qual mês está. Os dias da semana são os primeiros a irem embora da cabeça, graças a Deus. Ninguém quer saber quando é segunda-feira.

Mas voltemos para a distante Rússia.

Chegar no primeiro país de uma jornada como a que estávamos prestes a realizar é excitante e amedrontador ao mesmo tempo. Ali é o começo de uma vida sem planos, em que as possibilidades são infinitas (ou parecem ser), mas também é o início de uma vida que necessita de uma série de habilidades/conhecimentos que não tínhamos. Éramos, e ainda somos, dois tontos que mal viajavam de férias, então começar a se virar com um orçamento diário baixo e fugir do modo “turismo tradicional” foi desafiador. Por exemplo, sacar dinheiro no aeroporto de Moscou (já que não queríamos trocar nosso limitado estoque de dólares em espécie) em um ATM que não tinha uma palavra em inglês foi aterrorizante. Quer dizer, isso pra mim que sou noiado. No fim foi “só” decorar o que as pessoas da frente estavam fazendo, copiar, e torcer pra aquela bagaça cuspir dinheiro. Parecia que eu estava tentando ver a senha de todo mundo enquanto observava o processo? Sim. Alguns russos me olharam torto? Com certeza. Mas o importante é que funcionou, como funcionou também descobrir qual ônibus pegar até o metrô, mesmo que ninguém lá falasse inglês direito.

Engraçado como nessa viagem variamos entre momentos “agora fudeu tudo” com “caralho nada pode me deter”. Enfrentar o caixa eletrônico da morte? “Fudeu”. Acertar quais transportes pegar? “Já sou local”.

Escrevendo agora eu vejo como fico nervoso com esse tipo de coisa e que claramente sairíamos do aeroporto numa boa, mas na hora meus amigos, aaaa na hora é cada suadouro que vem.

Mas o importante é que saímos vivos do aeroporto e, após uma jornadinha de ônibus e metrô, finalmente ter algum contato com a cidade. Também conhecemos nosso primeiro hostel da viagem e já começamos em um estilo “cápsula”. No começo foi estranho entrar naquilo que mais parecia um forno ou uma gaveta de necrotério, mas a garantia de privacidade e certeza de que não precisaria ficar de conversinha com qualquer viajante que entrasse no quarto ganharam meu coração.

E agora tínhamos que correr pra conhecer Moscou.

Só para contextualizar, nosso plano na Rússia era passar por Moscou e São Petesburgo, mas a cereja do bolo seria pegar o trem transiberiano até à Mongólia, por isso não sobrou muito tempo para os lugares já citados. Ficamos 17 dias no país e tínhamos que ir rápido pois já havíamos comprado passagem de entrada para China. Assunto para um outro momento.

De volta a Moscou.

Sete irmãs Moscou
Uma das sete irmãs durante a noite. Conta de luz tranquila.

Rapaz, que cidade legal. Peculiar, com uma aura diferente de outras metrópoles. Cosmopolita, mas com identidade. Moderna, mas ainda com aquele ar de poder da União Soviética. Aliás “poder” é a palavra de ordem lá. Parece que tudo é feito para mostrar isso. Nunca antes tinha visto uma cidade que demonstrasse tanta imponência como Moscou. Prédios gigantes e maciços, ruas largas, monumentos impressionantes, estações de metrô incríveis e um culto à força e ao belo.

Um lugar diferente, mas ainda “acessível”. Acho que eu esperava ver mais da transloucada Rússia “da internet”, coisa que achei no interior (assunto pra outro post).

Por lá fizemos o básico do turismo: praça vermelha, Kremlin, alguns museus, parques e fomos em um bunker desativado que era usado durante a guerra fria (foi incrível). Mas fazer “o turismo” nem sempre é o melhor, aliás tratamos esse começo de jornada como férias (não intencionalmente) o que é um erro.

Em uma viagem longa o ritmo tem que ser outro e batemos perna demais em uma Moscou quente pra caramba. Todo viajante experiente dá essa dica pros não tão experientes. “Viaje devagar”. Mas os novatos são teimosos e parecem que não escutam. Ou nós (eu e Má) que somos burros mesmo.

Tive um mal estar nesses primeiros dias, acho que foi o calor inesperado, o esforço físico e, principalmente, a energia gasta para chegar até ali. Como se todos os esforços pré viagem (organizamos coisa pra caramba) tivessem feito uma orgia com os medos do que estava por vir e a cria desse bacanal foi uma queda de pressão que me pegou de jeito.

Bunker Moscou
Uma imagem do bunker que visitamos e eu esqueci o nome.
Kremlin
Uma das catedrais dentro do Kremlin. Lembrar o nome é superestimado.
Museu de fliperamas soviéticos. Estilosos, mas bem chatinhos.
Metrô de Moscou
Saca só essa estação de metrô. Coisa de ficção mesmo. Ficar bebado aqui deve ser mo barato.

Nosso tempo em Moscou foi assim, rápido e bem turístico. Como foi em São Petesburgo. Com certeza eu gostaria de voltar para essas cidades com mais tempo e com tudo que sei hoje.

Aliás falando em São Petesburgo, esse é o assunto do próximo post.

Beijos quentes

PS: ainda sonho com o planejamento maravilhoso das linhas do metrô de lá, era muito fácil ir de um lugar ao outro. Às vezes sonho com outras coisas também, por exemplo tenho um sonho recorrente em que faço parte da gangue do Sons of Anarchy mas ando em uma scooter invés de uma motona invocada e todos lá me acham fudidão. Mentira, nunca sonhei isso, mas agora gostaria de ter sonhado.

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