Japão 1 ou o capítulo da nostalgia

Esse relato cobre eventos de 19/09/2019 a 23/09/2019

Das profundezas do chorume virtual, da boca do lixo da internet e da negritude da minha alma, sim, está começando mais um capítulo desse querido blog.

Eu já dei esse spoiler no texto anterior, mas vou repetir aqui – amei o Japão. O povo é demais, educado e simpático (pelo menos sorriem pra mim, algo raro no mundo). Tudo bem que lá têm um problema profundo de “aparências VERSUS real felicidade/simpatia”, mas com turistas o povo é sensacional. A comida é boa (mas tenho algumas ressalvas sobre isso, mais por vir). As cidades são incríveis e a cultura, bem, não preciso nem falar né. O país que nos presenteou com figuras históricas como NINJAS, SAMURAIS e o TIOZÃO VERMELHO DE TANTO BEBER QUE ESTÁ DANDO TRABALHO NO KARAOKÊ APÓS A REUNIÃO DA EMPRESA é uma lenda por si só. Então estamos acertados? O Japão é incrível, ok?

Totoro perdido em Shibuya

Confesso que foi um alento chegar em Tóquio e ver um lugar que respeita filas, ordem e o espaço do próximo após a tempestade que foi a China. De novo, gostei muito de nossa estadia lá, só gostaria de voltar sabendo o que sei agora. Mas nada como uma Ilha metódica após nosso tempo em um continente sem lei. 

Aliás, chegamos no Japão por Tóquio, ficamos lá uns 3 dias e partimos para outros destinos como Kyoto e Osaka. Depois voltamos para Tóquio e ficamos uns 7 dias até ir embora. Foram 21 dias no país.

Na nossa primeira passagem pela capital ficamos em um bairro (ou cidade né, porque tecnicamente Tóquio é o nome do distrito, certo? Alguém da um Google ai) chamado Itabashi. Um pouco afastado do centro, mas muito calmo e tradicional. Era bom voltar lá após o tsunami de informação que nos atingia durante o dia. Com certeza eu moraria em Itabashi. Apenas prédios pequenos, casas, restaurantes “baratos” e gostosos, vizinhos gente boa. Aliás eu me peguei com esse pensamento “Eu moraria aqui” em praticamente todos os lugares que visitei no Japão. E isso é o bacana de Tóquio, algumas estações de metrô separam aquela loucura que vemos em filmes como Lost in Translation de lugares pacatos e tradicionais.

Tradição

Aliás a cidade é mágica, apenas andar por lá e sentir a energia é bacana, eu não consigo nem racionalizar o que achei de tão legal. Um amigo teorizou que talvez esse fascínio seja semelhante ao que algumas pessoas sentem com a Disney, mas nesse caso estamos falando de uma Disney para jovens criados a base de muito Dragon Ball, Pokémon e Jaspion. Ainda bem que posso praticamente chamar a finada Rede Manchete de segunda mãe.

Aliás, pense em duas coisas que tem em todo lugar em Tóquio: só dá Pokémon e Dragon Ball, graças a deus. E Godzilla. Visitamos um hotel que nem sei o nome, mas que tem um Godzilla gigante “anexado” a ele, como se estivesse atacando o prédio. Se você subir até o restaurante consegue ir na sacada e ficar de frente com a cabeça do Godzilla.

OLHA A CABEÇA DO BICHÃO ALI!!

Rapaz, e não é que me emocionei nesse momento? Era um dia nublado, meio frio, até névoa tinha. Perfeito para um ataque do nosso deus lagarto. E eu lá, olhando aquela engenhoca de plástico e ferro e me senti brevemente tocado. Bizarro né? Gostaria de ter momentos de iluminação em lugares mais, hum, impactantes. Poderia ter sido nos Himalaias ou em cima do Kilimanjaro, mas ali, em frente a atração pega turista do hotel, foi patético. Acho que lembrei dos momentos estranhos da minha infância, quando ia à NIGHT VIDEOS e alugava filmes em preto e branco de um dinossaurão atacando uma cidade. A nostalgia é um sentimento poderoso. Mas também calma lá, não é que chorei ou tive um ataque histérico, foi um momento de emoção light.

Eu e meu amigo

Aliás quem nos levou para conhecer o Godzilla foi nosso guia particular de Tóquio, o Ale, um velho amigo do trabalho que agora mora na cidade. Ele achou que tinha se livrado de brasileiros e de minhas piadas, mas o segui até o outro lado do mundo. Obrigado, Ale, pela paciência e hospitalidade (e por não ter mandado nenhum dos seus amigos da Yakuza atrás de mim).

Ale, nosso mestre nipo brasileiro

Ele também nos levou para visitar o Museu do Estúdio Ghibli e pelo amor de deus, ali eu não tenho medo de dizer que também me emocionei. Os filmes já são incríveis, ai você vê o cuidado e o carinho que eles recebem e é foda. Pura vontade de fazer algo perfeito (artesanalmente). A única coisa que eu me dediquei tanto assim na vida foi a cuidar da Lolla (minha cachorra), e ela ainda me morde de vez em quando. Vale para quem gosta dos filmes do estúdio e de animação. Se você não se encaixa nesse perfil vai, sei lá, naqueles cafés que dá para ficar dormindo de coxinha com uma japonesa desesperada pra ganhar a vida. Seu pervertido(a). 

E como essa primeira passagem por Tóquio foi movida por nostalgia, conhecer lojas de games antigos, como a Super Potato em Akihabara, foi especial. Você pode ter sido uma criança saudável que cresceu longe da magia negra dos eletrônicos, mas eu não fui. Em dado momento na minha vida tudo que me importava eram vídeo games e futebol. Esse momento inclusive continua até hoje (brincadeira, Marina e Lolla entraram nessa equação também). Enfim, ver ali muito do que já me divertiu ao longo de 20 anos foi bacana. A cada andar que subíamos na loja eu ficava mais feliz, redescobrindo antigos companheiros, até que chegamos no último – o andar dos fliperamas, e lá tinha uma turma bem da esquisita debulhando as máquinas. Vou ser sincero, rolou um preconceito e um medo de ser igual aquela galera que claramente não curtia um banho, e aí a magia acabou. Ou quase, antes eu joguei um pouco dos jogos antigos disponíveis, mas com parcimônia.

Esses jogos são melhores que muita gente

Fora isso o que fiz em Tóquio foi andar e gastar dinheiro.

Breve parênteses para falar sobre os preços do Japão. Lá é tudo bem caro. Pode ser que eu tenha exacerbado essa impressão pois temos que lidar com um budget diário meio restrito, mas mesmo assim é bem mais caro em comparação aos países que já visitei (excluindo Austrália). Um dia que andamos muito pra lá e pra cá em Tóquio nos gerou um custo de quase 19 dólares apenas de metrô, umas 5 ou 6 vezes mais que Rússia e China. Dá para comer barato sim, principalmente comprando nas lojinhas de conveniência, MAS AI DE VOCÊ se deixar o seu estômago se empolgar, pois aí terá que desembolsar uma pequena fortuna, mesmo nos locais mais simples. Atrações não são tão caras quanto a China, e dá para fazer bastante coisa de graça. Mas sei lá, tem um vortex que suga o dinheiro da carteira nesse lugar. Certo dia achei que tinha sido furtado, de tanta nota que sumiu. Não é um exagero literário, eu nem tenho imaginação pra isso. É verdade, eu realmente achei que tinham pegado meu dinheiro. Mas aí eu pensei, “quem é furtado no Japão”? Só eu, o maior trouxa da história. Fiz as contas e vi que não tinha acontecido um crime, apenas fui depenado aos poucos por comerciantes sorridentes. Isso que nem temos espaço nas malas para comprar coisas, ou seja, só de respirar lá você gasta dinheiro.

Tóquio sendo Tóquio
Tóquio sendo Tóquio 2

Depois de Tóquio tivemos várias desventuras no Japão, fomos para Kyoto, Nara, Osaka, Hiroshima, Miyajima, Himeji, Takayama e voltamos para Tóquio. Enfrentamos metrô super lotado e um tufão. Também preciso contar das minhas quase vomitadas e do nosso karaokê com locais. É bastante coisa, por isso vou encerrar o primeiro post do Japão por aqui.

Sayonara e beijos quentes

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